Olho para cima, em direccão à janela do tecto - os meus olhos são banhados por uma imensidão de luz, uma claridade forte. Não consigo ver nada no meio de tanta luminosidade branca, mas não preciso de fechar os olhos. Desvio a cara da janela, olho em volta, procuro ver alguma coisa. Mas a luz não se vai embora, continua a inundar-me os olhos que, cemicerrados, tentam discernir a realidade. Sem sucesso. Sei que estou no ginásio onde, em crianca, treinava basket. Ouco as vozes de alguém, creio que da minha irmã, sei que está muito perto, mas não a consigo ver. Uma espécie de pânico comeca a subir pela garganta, porque é que está tanta luz, não consigo ver nada, preciso de ver, preciso de ver. Estendo as mãos à minha volto, continuo a ouvir vozes, mas não percebo se estão preocupadas comigo ou entretidas na suas conversas. Está tudo branco, completamente branco. ... Estou debaixo de água, em Castelo de Bode, e não consigo respirar. Estou confusa, não sei onde é o topo e o fundo da barr...