20.10.2019 - Memórias e os anos do pai Sou pequenina, um peda ç o de gente, e estou dentro de um labirinto infindável e escuro, gatinhando apressadamente à procura de qualquer coisa. Ao virar duma esquina, bam!, vou de encontro a uma irmã. Desatamos às gargalhadas. Lá fora, o pai ajusta uma das paredes. O labirinto é criaç ão sua, feito de almofadas do sofá e toalhas. Nesta altura, o pai era o melhor pai do mundo. Protector e companheiro de brincadeiras, o fofo vaidoso. Um dia, o pai deixou de ser pai, a família foi-se embora. Será que um dos seus objectivos de vida era ter uma família? Quantos sonhos terá construído à volta deste conceito, quantos deles realizáveis, quantos utópicos? Quão disto foi culpa sua? Tudo, por ter casado com a mulher errada e não ter percebido? Nada, porque a mulher não o podia amar e ele não sabia? Metade, porque não soube dar à mulher o que ela precisava? E que interessa? O passado é passado. Somos todos inocentes, inexprientes. Somos newbies sem i...