Semana 7 - Sonhos

Olho para cima, em direccão à janela do tecto - os meus olhos são banhados por uma imensidão de luz, uma claridade forte. Não consigo ver nada no meio de tanta luminosidade branca, mas não preciso de fechar os olhos. Desvio a cara da janela, olho em volta, procuro ver alguma coisa. Mas a luz não se vai embora, continua a inundar-me os olhos que, cemicerrados, tentam discernir a realidade. Sem sucesso. Sei que estou no ginásio onde, em crianca, treinava basket. Ouco as vozes de alguém, creio que da minha irmã, sei que está muito perto, mas não a consigo ver. Uma espécie de pânico comeca a subir pela garganta, porque é que está tanta luz, não consigo ver nada, preciso de ver, preciso de ver. Estendo as mãos à minha volto, continuo a ouvir vozes, mas não percebo se estão preocupadas comigo ou entretidas na suas conversas. Está tudo branco, completamente branco.

...

Estou debaixo de água, em Castelo de Bode, e não consigo respirar. Estou confusa, não sei onde é o topo e o fundo da barragem, não consigo voltar à superfície. Os pulmões sufocam e o medo aperta a garganta, preciso de ar, preciso de respirar! E assim de repente há uma voz calma e sensata, sem tom nem volume - creio que é um pensamento - que diz com ar prático: Bem, se tens que respirar, então respira. E eu penso, bem.... realmente, porque não respiro? E vai daí inspiro fundo, a água flui docemente pelo meu nariz, inunda os meus pulmões, e expiro, e está tudo bem. Afinal, podemos respirar debaixo de água! Que tontice, porque é que nunca experimentei? E sabe tão bem... e continuo a nadar por aí fora, provavelmente através das núvens sobre uma floresta e uma brisa suave, enquanto penso, Uau, voar é tão fácil e tão agradável, e de brucos é como se voa mais rápido!

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