Semana 5 - Infância
Assim de repente vem-me à memória estar agachada, à beira da estrada, a brincar com pedrinhas na poeira. As bicicletas estão no descanso e eu estou à espera de qualquer coisa, sem pressa, sem desejos, estou satisfeita assim.
Noutra altura estou à procura de flores pequeninas.
Antes disso, ou talvez depois, pouco importa, estou a descer uma encosta a alta velocidade (já devia ser grande o suficiente para ter a minha própria bicicleta). A alegria e o sabor daquela descida - e das descidas que se seguiram e antecederam - foram superadas por poucas outras coisas desta vida. O sol de fim de tarde, o chapéu da mãe que eu orgulhosamente usava a querer escapar com o vento (uff!, que sorte que me lembrei de apertar o fio à frente do pescoço!), o cheiro fresco do campo, o infinito à nossa frente. Quem poderia adivinhar que tivemos a maior sorte do mundo, por podermos estar ali? Parecia simplesmente normal, expectável.
Noutra altura estou à procura de flores pequeninas.
Antes disso, ou talvez depois, pouco importa, estou a descer uma encosta a alta velocidade (já devia ser grande o suficiente para ter a minha própria bicicleta). A alegria e o sabor daquela descida - e das descidas que se seguiram e antecederam - foram superadas por poucas outras coisas desta vida. O sol de fim de tarde, o chapéu da mãe que eu orgulhosamente usava a querer escapar com o vento (uff!, que sorte que me lembrei de apertar o fio à frente do pescoço!), o cheiro fresco do campo, o infinito à nossa frente. Quem poderia adivinhar que tivemos a maior sorte do mundo, por podermos estar ali? Parecia simplesmente normal, expectável.
Entre cagarras, sonhos, vacas bêbedas e cachalotes, entre mergulhos, longas subidas, esparguete salgado, tempestades e chuva como nunca vimos, entre pedras vulcânicas, hortensias, histórias e sonhos em voz alta, creio que encontrámos o paraíso, e aí crescemos, intermitentemente.
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